Os games pra Xbox Live Arcade cada vez me surpreendem mais. O que começou com títulos simples foi melhorando a olhos vistos com o passar do tempo a partir do momento que a Microsoft resolveu aumentar o limite de 50MB por jogo que ela impunha. Com isso os desenvolvedores puderam trabalhar melhor e nos apresentar verdadeiras pérolas que poderiam perfeitamente serem vendidas em DVD, como Braid, Shadow Complex e, o mais novo sucesso, Limbo.
A primeira vez que Limbo apareceu foi em um video em 2006, de lá pra cá foi criada uma expectativa enorme a respeito dele, e toda essa expectativa é justa. O jogo começa com o menino acordando no meio de uma floresta, sem te dar nenhuma explicação do motivo, o que você sabe é que tem que sair andando e vencendo obstáculos. Segundo a descrição da Microsoft, o título nada mais é do que a busca da irmã do personagem, esse é o máximo de informação que temos. Tudo é muito simples e ao mesmo tempo muito bem trabalhado, a começar pelos gráficos em tons monocromáticos que podem causar uma certa estranheza no começo, mas contribuem muito para o clima minimalista, até chegar a uma física muito bem trabalhada e que funciona perfeitamente. Os controles são bem intuitivos, só são usados o direcional e dois botões, um para pular e outro de ação, como virar uma alavanca ou empurrar um tronco.
Limbo se baseia nessa premissa simples de sair andando e ultrapassar obstáculos, e às vezes temos que voltar um pouco para achar soluções. Cada um desses obstáculos possui sua maneira particular de ser vencido e cabe ao jogador buscar o que fazer na situação apresentada. Não existe barra de life, errou, você está morto, não existe segunda chance e as mortes não são nada agraváveis. Vão desde um lento empalamento, a desmembramento e decaptação, sem choro nem vela. A vantagem é que existem vários checkpoints, quando o personagem morre ele volta logo atrás do ponto onde sucumbiu, isso evita a frustação de ter que percorrer um longo caminho de volta, o que poderia tornar a aventura bem entediante.
Mas vamos falar dos desafios apresentados. Não chegam a ser difíceis, na verdade são simples e às vezes estão tão claros que quando o jogador percebe o que deve fazer não consegue entender porque não pensou naquilo antes. É preciso avaliar bastante o ambiente a sua volta, entender toda a mecânica do game e utilizar o que tem a sua disposição da melhor forma possível. Às vezes, como citei antes, é preciso voltar um pouco no cenário e buscar algum item fundamental que esteja pra trás, esse tipo de situação acontece com uma certa frequência, então é muito importante estar sempre ligado no que ocorre e aparece. Não podemos esquecer dos inimigos que surgem pra dificultar mais ainda seu caminho, como uma aranha gigante ou outros personagens atirando dardos e jogando armadilhas, saber a forma exata de evitá-los, fugir e derrotá-los também é um dos segredos que precisamos descobrir.
Enfim, apesar de custar 1200 MS Points (e ele vale isso), posso dizer que Limbo é um presente inesquecível para todo jogador, aliás, é agradável até ver outra pessoa jogando. Não é muito longo, mas te prende a cada minuto. No final das quase 5hs de jogatina as imagens continuam povoando sua mente, tenho certeza de que ninguém que já terminou tenha conseguido resistir a um replay, seja para conseguir achievements ainda não liberados ou simplesmente para revisitar o incrível universo criado pela produtora. É impossível dar uma nota menor do que a máxima para esta obra de arte em forma de game.